ele era um desejo
preso na minha boca no meu estômago
projetado pela minha furia
a vida!
me faz sentir essas dores
a me contorcer
como um pano que está sendo
eu
torcida moída
em cima de uma cama de pregos
tenho essas marcas
nas minhas veias
e agora não posso arrancá-las
porque
senão vou junto
para um lugar que
eu não quero mais ficar!
escorre mais uma
e mais uma e mais e mais e mais
faz nascer vertente
dos olhos!
eu já estou nua
a muito tempo
com vergonha e medo
do meu corpo,
eu quase nem mereço esse toque
de recolher!
vestidos vermelhos
que escondem o meu desejo!
que me mata...
com um punhal na barriga
eu quero voltar de onde
eu vim,
e isso eu nem sei responder
porque eu não lembro
se sou.
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